PAGANO

Até 31 de março pode ver na Barbado Gallery Pagano 1965-1967, com imagens de Davis Dosrius, Noé Sendas e Salvi Danés. O texto de apresentação diz-nos que “a descoberta de um livro de Maurice Maeterlink “L’intelligence des fleurs”, 1907, intervencionado por um autor desconhecido chamado David Dosrius, alias Pagano (Fornelleres 1944), é o ponto de partida de uma investigação desenvolvida pelo editor independente e curador espanhol Gonzalo Golpe”. Esclarece-nos também que esta apresentação “recolhe obras originais do autor, produzidas entre 1965 e 1967, cedidas por colecionadores privados, por familiares e amigos bem como material recuperado pelo curador desde 2011. Apresentam-se paralelamente obras de dois autores atuais, Noé Sendas (Bruxelas 1972) e Salvi Danés (Barcelona 1985), em diálogo com David Dosrius. Pagano nasceu em Fonelleres, na zona de l’Empordà, província de Girona, onde trabalhará numa situação de recolhimento voluntário, longe das influências dos círculos artísticos catalães. Entrega-se por completo à observação da natureza e transforma um velho celeiro da sua casa de família em atelier. Aí produz sem descanso uma vasta quantidade de obras, misturando constantemente disciplinas artísticas, com a liberdade de quem cria não para interagir com o mundo da arte mas como exercício de auto-conhecimento e posicionamento vital. Esta autonomia feroz que transparece não só da sua obra mas também dos seus escritos, aproxima-o do anarco-individualismo de Thoreau e também do modo de vida da Seita do Cão – o cinismo grego – corrente filosófica que reivindicava a autonomia do indivíduo face aos poderes do Estado e às convenções sociais. A obra de Maeterlink não só motivou uma reaproximação às origens como foi também a causa de uma rutura que afetou todas as dimensões da sua vida”.